Conversa exclusiva com Arash Azizi – 21 de outubro, às 20h, via Zoom! Não perca!
DA PONTE AO PONTO – AO VIVO
O Meretz Brasil convida VOCÊS para uma conversa exclusiva com o historiador e escritor iraniano Arash Azizi, professor da Universidade de Yale (EUA) e autor de The Shadow Commander e What Iranians Want. Colaborador da The Atlantic, Azizi é uma das vozes mais originais sobre Oriente Médio, nacionalismos e democracia.
🗓 21 de outubro (terça-feira)
🕗 20h (horário de Brasília)
💻 Via Zoom
🔗 Inscrições obrigatórias:
Um encontro imperdível para refletir sobre o sionismo, a guerra e os desafios do diálogo em tempos de conflito.
Mais uma vez, Netanyahu escolhe o Hamas em vez da segurança de Israel
Por Yair Golan
O primeiro-ministro ainda considera a organização um “ativo”. Em vez de ajudar a estabelecer uma nova ordem diplomática ao lado dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, Netanyahu está permitindo que o Catar e a Turquia restabeleçam o bastião do Hamas em Gaza.
A cúpula da paz de Sharm el-Sheikh deveria marcar um momento histórico de esperança, com o fim da guerra, a libertação dos reféns e o início de uma nova era de maior segurança para a região. Mas, para quem observava os países que promoviam o acordo, era possível perceber de imediato que algo fundamental havia saído errado.
As quatro potências signatárias — Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos — criaram uma situação perigosa, na qual os países que detêm as chaves para a segurança regional e a reconstrução de Gaza são justamente aqueles que apoiam, financiam e defenderam o Hamas ao longo dos anos.
É igualmente importante notar quem não estava presente: a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos — duas das potências árabes mais moderadas e pragmáticas, com as quais Israel manteve, na última década, uma cooperação sem precedentes nas áreas de defesa, economia e combate ao Irã.
A ausência do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, não é um detalhe marginal. É uma declaração política clara e contundente — que Israel precisa compreender. Arábia Saudita e Emirados deixaram claro, desde o início, que sua participação no plano de reconstrução de Gaza dependia de uma condição simples: o desarmamento e a expulsão do Hamas de Gaza enquanto movimento.
Na visão deles, enquanto o Hamas permanecer em Gaza, a região não estará livre do perigo, pois o veem como um braço perigoso da Irmandade Muçulmana e do Irã — uma organização terrorista que elimina qualquer chance de estabilidade duradoura e de uma paz genuína na região.
Essa condição essencial simplesmente desapareceu do acordo de Trump. Por isso, Arábia Saudita e Emirados descreveram, com razão, o texto do acordo como “conivente” e “excessivamente flexível” em relação ao Hamas. Embora o acordo tenha resultado no fim dos combates e na devolução dos reféns, ele não garante o fim do Hamas — nem provocará sua queda.
Pelo contrário: criou uma nova plataforma para que o Hamas se recupere, se reorganize e volte a operar a partir das ruínas de Gaza. O Catar — país que serviu ao Hamas antes e depois de 7 de outubro como fonte de financiamento e propaganda — e a Turquia — bastião da Irmandade Muçulmana — são agora os responsáveis pelo “dia seguinte” em Gaza, no lugar da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.
Essa situação representa uma verdadeira ameaça à segurança de Israel. E não se trata de um erro técnico: é o resultado da continuidade da política de negligência deliberada do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Trata-se de uma falha diplomática gravíssima, que não deriva de descuido, mas de uma escolha consciente e intencional.
Netanyahu optou por fugir da arena diplomática em nome de sua sobrevivência política e, mais uma vez, deixou um vácuo que permitiu a entrada dos atores mais radicais. Em vez de aproveitar o apoio dos Estados Unidos e os Acordos de Abraão para criar uma coalizão regional com os países moderados e estabelecer uma nova ordem de segurança, ele permitiu que Catar e Turquia assumissem o comando — e ressuscitassem o Hamas.
É assim que se manifesta, na prática, a perigosa e cínica concepção de Netanyahu de que “o Hamas é um ativo”. Por anos, Netanyahu preferiu manter o domínio do Hamas em Gaza para enfraquecer a Autoridade Palestina — e, assim, fortalecer seu próprio poder.
Também desta vez, quando Israel teve uma rara oportunidade de promover uma mudança estratégica em Gaza e em toda a região, Netanyahu mais uma vez escolheu o Hamas, abrindo mão da segurança nacional israelense.
Pouco após o início da implementação do acordo, já chegam relatos de Gaza: o Hamas voltou a exibir força, ameaçando a população, eliminando membros de milícias locais criadas com apoio israelense e tentando controlar os mecanismos de distribuição de ajuda. Não há nenhum mecanismo internacional de fiscalização para impedir isso.
A impressionante conquista militar de Israel — alcançada ao custo do sangue de soldados e civis — mais uma vez se dissipa diante de um fracasso diplomático devastador.
Um país responsável basearia sua segurança em uma aliança com seus vizinhos moderados — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Jordânia — e não colocaria seu destino nas mãos de Turquia e Catar, identificados com a Irmandade Muçulmana e provedores de dinheiro, armas e oxigênio àqueles que assassinaram e sequestraram israelenses e semearam a morte. A segurança de Israel não pode depender de países hostis e inimigos declarados de Israel.
Ao entregar o “dia seguinte” em Gaza às mãos do país cujo dinheiro financiou o massacre nas comunidades da fronteira, Netanyahu concedeu um prêmio ao Hamas. Deu ao Catar e à Turquia uma posição de influência e transmitiu ao mundo a mensagem de que o Estado de Israel abriu mão dos princípios básicos sobre os quais sua segurança se sustenta.
Neste momento, em que Israel não lidera uma iniciativa diplomática que garanta seus interesses vitais, e em que considerações políticas se sobrepõem às de segurança, o país se enfraquece — e seus inimigos se fortalecem.
Yair Golan é ex-vice-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, major-general da reserva e presidente do partido Democratas.
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